Muita festividade na abertura do 3º Desfazendo Gênero

Com olhos brilhando, os inscritos no 3º Seminário Internacional Desfazendo Gênero foram recebidos com muita efusividade pelos monitores e participaram da primeira parte do credenciamento.

“Esses dois anos de preparação foram dois anos de acúmulo de experiências lindas, que nos emocionaram, que determinaram inclusive o formato que o evento tem, e que vamos levar isso ao extremo, que vamos nos emocionar muito e nos energizar para as lutas”, afirma a organizadora do evento, Jussara Carneiro.

Muitas malas, muitas perguntas, muitos sotaques diferentes, mas todos com a mesma vontade de participar. Além disso, durante toda a manhã, livros foram expostos no hall de entrada da UEPB e os inscritos puderam socializar em meio a música que ressoava em toda a universidade.

Na animação do primeiro dia, pudemos encontrar Leandra du Arte, que veio da cidade de Passo, em Minas Gerais para participar como convidada. “Nessa terceira edição já temos a certeza que o evento já deu certo, pois ele traz muitos conhecimentos em suas bagagens, de lutas, culturas diversas, fortalecendo o movimento de lutas constantes em nossa sociedade.“.

Com o primeiro momento feito, os monitores passaram para o Teatro Municipal Severino Cabral, no coração da cidade de Campina Grande. Também conhecido como o cinquentão, o local abrigou o segundo momento de credenciamento.

Durante todo o dia os participantes chegavam de outros estados e puderam receber seu kit com todos os materiais que irão precisar. A entrada do teatro fervilhava entre participantes e convidados que socializam e trocavam experiências.

Francisca Magalhães, também conhecida como Chica, estudante de psicologia na UFRGS que veio de Porto Alegre, no Sul do país, chegou na cidade no começo da tarde para participar pela segunda vez do evento. Ela evidenciou a importância do seminário e afirmou que o Desfazendo Gênero não é só um espaço de resistência, mas de troca de culturas entre todo o país, principalmente entre o nordeste e o sul do Brasil.

Outra pessoa cativada pela movimentação do evento foi Luan, estudante do ensino médio que também estava presente. “O evento é importante para debater sobre o preconceito reforçando um ensino pedagógico de gênero e sexualidade” Além disso, ele também enfatizou que, por ser de grande porte e por ser sediado em Campina Grande, o evento viabiliza uma amostra de que a sociedade  livre para escolher e debater qualquer assunto, bem como o desfazendo gênero citou.

Mãe Carminha e Bruxo Vamberto abrilhantaram ainda mais e deram início à sessão de abertura, que contou com a presença da Professora Dra. Jasbir K. Puar, do Departamento de Estudos de Mulheres e Gênero da Universidade de Rutgers, Nova Jersey, e do Departamento de Estudos da Performance da Universidade de Nova York. Com o auditório lotado, os espectadores receberam um aparelho de tradução automática que pôde facilitar o entendimento da sessão.

Jussara Carneiro, não deixou de pontuar sobre esse acontecimento marcante na cidade paraibana. “Em primeiro lugar é importante destacar que esse evento se inscreve em um projeto alternativo de uma universidade, que exatamente problematiza e questiona qual a contribuição das práticas de produção de conhecimentos, das práticas acadêmicas em seu conjunto, para repensarmos esse momento em que vivemos, um momento em que pões em ataque a própria universidade pública reconhecendo, que a universidade como projeto precisa se repensar a partir da riqueza dos saberes que, foram desqualificados e silenciados, e que agora estão novamente na mira do discurso fascistas e fundamentalista, mas o que nós queremos ressaltar aqui com esse seminário, queremos ressaltar que nós sabemos o porquê desses ataques existem, eles existem por conta da potência que nos resguardamos no sentido de dizer é possível viver de outra maneira.”.

A programação seguiu com a finalização da sessão de abertura e, puxados pelo ritmo do grupo de percussão Maracagrande, que contagiou os participantes com alegria, os participantes seguiram em cortejo para o Parque do Povo, local histórico da cidade.

Dando início ao primeiro dia do Festival de Arte e Cultura Zabé da Loca, o evento seguiu com apresentações de uma Roda de Toré Indígena que acabou gerando uma grande roda com participação da público que cantou e dançou junto.

Dando nome ao festival, Zabé da Loca ficou bastante conhecida por morar durante 25 anos dentro de uma pequena gruta (loca), na Comunidade Santa Catarina, na zona rural de Monteiro. Inclusive, o apelido surgiu por esse motivo. Hoje ela é homenageada pelo 3º Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que evidencia a sua importância para cultura regional e brasileira.

Logo após a roda de toré, a banda Ijexá Ananiki Enyian, que canta em Iorubá, veio trazendo suas músicas para enaltecer a cultura africana e movimentou a galera que já ‘mexia as cadeiras” na parte da frente do trio onde as apresentações estavam acontecendo.

A Dança Cigana veio para acrescentar essa mistura de culturas e envolveu as pessoas que dançavam ainda mais e acompanhavam as ciganas enquanto elas chamava os participantes para participar da roda.

O Tirinete de Coco abrilhantou a noite enquanto cativava a galera que continuava a dançar e Mestre Ulisses finalizou a noite, deixando saudades do primeiro dia, mas felizes por saber que amanhã ainda tem muito mais.

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