Chegando ao final… Penúltimo dia proporciona variada programação cultural

O penúltimo dia do Seminário Internacional Desfazendo Gênero chegou bombardeando a todos com muitas discussões, cultura e arte. O bazar continuava fervendo o hall da Central de Aulas da UEPB enquanto que, na parte da manhã, rolava o Cine Palestina, que exibiu o filme reconhecido internacionalmente “Fora do Quadro”.

O início da tarde começou com apresentações culturais de peso. Admilson Maia com o espetáculo de “Profundis”; Fernanda Capibaribe Leite junto do Coletivo Experimentações Improvisadas e Outros Babados, que veio diretamente de Recife para o nosso evento apresentar “Dévir Errância”; além de Alexandra Martins que apresentou o show “A história de xoxotel e suas tranças de mel” e veio da Bahia. Eles tomaram conta do Hall com suas apresentações de tirar o fôlego.

Com a exibição dos curtas da cineasta Larissa Sansour seguiram com a programação, que agitou e gerou muito debate entre a galera.

Ocorreu também, durante a tarde, a mesa temática sobre o ativismo queer da atualidade, que aconteceu com a participação de ilustres convidados, dentre eles a figura do Prof. Dr. Pablo Pérez Navarro, que veio do Centro de Estudos Sociais de Coimbra e abrilhantou a mesa temática.

Para ele, o evento é considerado fulcral na área acadêmica brasileira, na arte e nos movimentos ativistas que aqui se encontram representados pelo cruzamento das experiências do que está rolando nas questões de dissidência, trans., queer, feministas, anti racistas, anti-classistas. Tendo uma importância muito relevante por estar acontecendo no interior da região nordeste, por ser interessante também ressaltar a interiorização dos saberes para além das universidades.  

Outra presença que também brilhou nesse mesmo debate foi a do Prof. Dr. João Manuel de Oliveira, que veio do  Instituto Universitário de Lisboa direto para a mesa do nosso evento. “O Desfazendo Gênero faz uma ligação, criando uma ponte entre o ativismo queer da atualidade, no contexto das diversas lutas das diferenças entre si, e que se priorizarmos um ou outro, os dois temas terão uma ligação exclusiva de lutas por legitimação de seus direitos. Também podemos fazer uma ligação com o Cinema Palestino, em que ele mostra a luta da causa feminista, em uma região predominantemente machista, em que o homem é a figura central em todos os sentidos. Mas também nos mostra que há uma porta aberta para se fazer uma luta igualitária e não deixar de haver uma conversação de gênero. E que o ativismo feminista ou queer pode reconhecer nessas diferenças uma aliança estratégica com um inimigo comum que é o machismo. “ afirmou ele ao debater sobre o evento.

O início da noite proporcionou aos inscritos o contato com escritores que estavam lançando livros no evento. José de Sousa Campos Júnior, que é formado em Letras pela UEPB, fez mestrado no Programa de Pós-graduação em Literatura e Interculturalidade na UEPB, e hoje é doutorando na mesma linha de pesquisa de Interculturalidade, veio para lançar seu livro sobre a escritoras paraíbanas. “Quando estava terminando a graduação, meu TCC já foi sobre uma autora paraibana, e ai me surgiu uma inquietação de saber quem são essas autoras paraibanas, se existiam outras assim como a quem foi objeto de análise do meu TCC e quem seriam essas escritoras” ele afirmou, e ainda completa: “Não delimitamos espaço de tempo, decidimos pesquisar desde a mais antiga. Pesquisamos da década de XX até 2013, ao longo desse tempo, quase 100 anos, chegamos a mais de 350 nomes. É importante pois sempre que pensamos em literatura paraibana, pensamos em nomes masculinos e acho importante começarmos a desconstruir isso, perceber que existem outros nomes, existem escritoras que estão ai fazendo literatura.“

No mesmo horário, as performances fervilhavam a Universidade Estadual da Paraíba.  Nomes como Vicente de Paula Nascimento Leite Filho, Djanira Meneses e Morgana Sky pontuaram sua participação no evento, contribuindo para a distribuição e veiculação de cultura dentro de todo o campus. Uma das performances que deixou o público encantado foi o espetáculo Profundis do Bailarino campinense Admilson Maia. Ele começou a dançar aos 23 anos, início dos anos 90. No ano de 1992 montou o espetáculo “Desejos”, no qual ele participou de um festival a nível estadual, “SEGUNDO FESTIVAL DE TEATRO E DANÇA DA PARAIBA, dentro do festival havia uma premiação de 1 a 10, e ele ficou com 9 prêmios dessa premiação, dentro do festival, sabendo dessa conquista dentro do festival, o espanhol e encenador Afonso Rodrigues, o convidou para representar a Paraíba em Portugal, dando assim o ponta pé inicial para uma carreira de sucesso dentro das artes cênicas envolvendo dança. Fundou a companhia de teatro e dança “Má Companhia” ao retorna para o Brasil, fazendo uma turnê nacional. Sendo convidado por diversas companhias de dança e balé do país dentre elas pode se destacar: Balé primeiro ato, Balé estágio, Companhia tatus, Companhia Felipe Sé. Dentro de seus espetáculos a sua mãe também faz parte cantando e dançando. E o mais curioso é que todos os espetáculos é um fragmento da sua história de vida. O The Profundis, vem ao Desfazendo Gênero mostrar que você pode, que você deve enquanto você tem vontade, porque ele fala da vida real em momento em que tudo vai acontecendo com uma liberdade, e o The Profundis no palco ele deixa isso bem desfeito para quem o assiste. Quando questionado sobre a sua sensação ao ver e sentir o encantamento do público ele fala que é sempre muito prazeroso para um artista ser recebido com todo o calor e energia das pessoas. “Tanto eu levo energia para as pessoas como eu recebo delas também, é uma troca.”

A noite do terceiro dia terminou com muita alegria e dança no Festival de cultura e arte Zabé da Loca, que teve o tema Racha Sonora. O festival foi alegrado pelos shows de EKÉ candomblé sound system, uma coletiva paraibana; As severinas, trio de forró do Vale do Pajeú; e finalizando com o grupo Sinta a Liga Crew.

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